Marvim chegou agora, correndo todos os perigos noturnos desses dias modernos pra chorar um pouco!
Aos poucos que lhe conhecem, desfrutam de sorrisos de canto por saberem que não é de nenhuma dificuldade ter contato com suas lágrimas... mas ele divide esse momento porque é de extrema fragilidade.
Felizmente ou não, carrega uma intuição de descoberta de sentimentos escondidos, e por mais soterrados ou disfarçados por ele, uma hora brotam o atordoando. Buscar o conforto de todos os habitats, a acomodação das palavras em assentos fofos e até mesmo hipócritas, deixar de gozar de facilidades em prol dos outros e acabar a noite nessa corrida deslizante de lágrimas. - Pra Que!? ele se pergunta sem trégua.
Ele se senta no banco e desmorona procurando acalmar-se, e reorganizar as idéias na cachola. Tanto esforço, voluntário da sociedade, oferece palavras aos sofredores, inventa teorias para normalizar os problemas dos outros, se prejudica com sorriso no rosto, faz de sua coluna tapete de chão por olhares piedosos, e acaba na chuva de noite, com insetos tirando-lhe o sangue das canelas e com lágrimas umedecendo ainda mais o cenário cheio de lodo e molhado.
No fundo, lá, bem longe, ele sabe que não tem como mudar, e que ganha algumas vezes por seu jeito majestoso; mas hoje é dia de revolta! Tantas possibilidades passam-lhe à cabeça, imediatas soluções cavernosas para sua raiva por nada dar certo. As pessoas são cruéis, e sair ileso talvez signifique que ser cruel conforta; porém ainda naquele fundo ele ainda agradecia por saber que sua raiva era finita, e então perder-se-ia em pensamentos longos.
Fadigado, com os músculos da face doloridos e grandes bolsas inchadas embaixo dos olhos, ele se deparou com a hora, e a única coisa que conseguiu pensar foi o que pronunciou sussurrando: " Não deve ser á toa que o Universo tenha me construído assim. Fui sinônimo de AMOR entre dois adultos que se conheceram e deram origem a mim; tropecei, e de agulhas enfiadas na carne dissolvidas em todas as experiências, aprendi (agora com o coração livre de peso) que é muito mais válido que momentos atordoados sejam repentinos para os de livre alma como eu, do que momentos repentinos de paz em meio à tanta raiva aos que não conhecem a paz".
A satisfação de ser feio, desengonçado e exótico fazia dele o mais feliz depois de toda essa avalanche de desabafo. Levantou-se, devagar, limpando a poeira da roupa molhada, e com passos largos chegou em sua casa, quieta e aconchegante como sempre. Banhou-se em água muito quente descendo com pressão do chuveiro, como se levasse toda aflição e mágoa ralo abaixo. De pijamas e pantufas, alimentado, perfumado e relaxado, estendeu-se sobre a cama numa expressão de merecedor, e seus olhos cerraram-se para mais uma noite tranquila.
QUALQUER SEMELHANÇA COM MARVIM É MERA COINCIDÊNCIA??????ADOREI O CONTO!!!
ResponderExcluirA gente viaja junto com Marvin durante a leitura...se aflige e depois relaxa....que legal...adorei fofa.
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