Imponente, já conseguia ver seu brilho de longe dentre os vários outros irmãos que o rondavam; Engraçado como são as coisas.. passara por aquele lugar tantas vezes e já havia me chamado atenção, não a ponto de me fazer parar mas hoje era o seu dia: vinte e quatro de Outubro de dois mil e onze, no entardecer desse dia de horário de verão de céu colorido e calor.
Tenho dias em que toda a graça dos sorrisos as vezes passam despercebidas, cansam ou substituem-se por mais silêncio, observação e sensibilidade decorrente. Dentro do meu organismo cósmico os sentimentos entrelaçavam-se como a mistura dos gases de um pulmão humano, e no caminhar comum me deparei com um casal dono da redoma do Lindo e de sua família. Alegres com os poucos dentes podres que restavam em suas bocas, sujos, com as roupas com pequenos rasgos, alegres, pele do rosto oleosa, olhos vermelhos, fedidos, apaixonados um pelo outro e alegres também!
Passaram-me sem saber uma força que não consegui não parar pra acompanhar aquilo de perto; logo fui perguntar sobre aqueles lindos grilos cheios de detalhes e histórias implícitas, e já logo fui surpreendida com o convite de escolher qualquer um daqueles vários que estavam expostos ali, tão perto do chão e da rua. O preço? ah, eu quase que nem me lembro dele, e por mais que o homem dissesse que o troco viria rápido do bolso furado de sua amada eu não tive outra reação a não ser oferecer esse troco de coração pela contemplação da cena. Durante minha escolha, o Lindo até então sem nome me escolheu. Ele estava lá na frente, tinha acabado de ser feito, e suas antenas mexiam levemente com a brisa suave que se concentrava na esquina; a mulher orgulhou-se por ter acabado de confeccioná-lo e já ter de se despedir tão rápido... mas aconchegou-o no meu braço com muito carinho. Uma forte energia me invadiu, com pensamentos de que aquele grilo sim teria uma bagagem muito rica, com histórias boas e ruins mas abundantes pra contar, e fazia parte agora dos meus cuidados (Nessa hora eu já sabia que presentearia certa pessoa com ele). Questionei a mulher: -E o nome dele? Você que fez, têm de dar um nome à ele! O homem arriscou um "Dino" meio sem pensar e a mulher com uma careta misteriosa pensou por certos segundos repetindo o suposto nome e não mostrou agrado com um "Não, Dino não!! Ele é o... ... ... o Lindo!". Olhou com o maior carisma do mundo pra ele, pra mim depois, e disse... "o Lindo! Ele guarda segredos, e não conta pra ninguém. Você pode falar o que quiser, nem pra sua amiga ele vai contar!"
Eu, com ele apoiado no braço agradeci, desejei boa sorte e fui embora, pensando no tamanho da minha intenção em transmitir tudo de bom que o Lindo me ofereceu naqueles segundos que passei por aquela esquina.
Sei que ele tinha que aparecer pra mim hoje, e sei também que ele continuará com toda a sua elegância a prorrogar sua fidelidade e beleza à quem vou presentear.. que há uma altura dessas já se identificou!
Apresento-lhes o Lindo! Boa noite!