É chegado o momento em que a tolerância combate a ausência
de vida.
Sem meios termos, sem muros para se escorar; o tempo não
pede passagem nem muito menos ensina ninguém a se portar.
É chegado e já tardio o impulso corporal insuportável,
sedento por vida, por índole, por resposta física e mental frente a tudo. A inércia
agora definitivamente já não cabe mais, se é que um dia coube em algum lugar.
Logo eu, tão adepta da instabilidade e da defesa da
constante mutação de qualquer contexto, tomo partido. O único irreversível,
constante e infinito, externado na camisa de quem a veste, com muita coragem,
engolindo todas as possibilidades.
Ninguém nunca saberá nenhuma resposta, mas aos que abrem a
cara e o coração pela dúvida...esses sim têm a minha admiração; porquê
conquistam o mundo e sua satisfação com os próprios olhos, com os próprios
corpos físico e mental.
Tantos tutoriais, virtuais, didáticos e sentimentais,
falsários resultantes dessa fraca idéia vendida de amor. Passam-se os anos e as oportunidades, e tudo fixado
no mais cômodo e fraco pseudo-amor, uma somatória de fraquezas, por décadas a
fio.
Que bela e prática a covardia! Celebremos! Comemoremos essa
bi-fase, essa água e óleo que não se esconde!
Já é tempo de travessia sem volta, um salto pela salvação da
opinião e da conduta; salto esse pela graça do amor que anda escondida em algum
banco de cimento discreto por aí. Ah, a graça do amor... são poucos os que
puderam conhecê-la, e que estão abertos e receptivos à ela em estado de graça a
vida inteira.
Aos crédulos a minha eterna admiração: pelo amor, pela
coragem, pela atitude.
Aos outros, caretas de caráter, o silêncio. Silêncio esse que coloca cada um em seu lugar, que permite
às carapuças que vaguem pelos corredores a fio atrás de quem às pertence;
silêncio que julga sem palavras, que grita sem ruídos, que machuca sem toque.