Senhoras e Senhores, trago boas novas!


No interior dessa marina, morada de velhos barcos experientes e cravejados, um banco para que eu me acomode e despeje palavras e sentimentos que, no ritmo das ondas, são de uma existência cordial.







sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Pensei em escrever

Pensei em escrever sobre as infelicidades... mas soaria como um choro de auto-piedade e tenho pavor disso!

Pensei em escrever sobre as injustiças sociais... mas soaria um protesto coxinha de quem já jantou um prato sem carboidratos e está na frente de um computador considerado lazer da cidade grande, vestindo meias felpudas.

Pensei em escrever sobre os caminhos profissionais a seguir... caí ainda mais fundo no buraco negro das possibilidades e ausência delas.

Pensei em escrever sobre saúde... lembrei que perdi um convênio médico.

Pensei em escrever sobre potencialidades... me vi no mesmo impasse de sistema de produção e frieza
humana, além de continuar achando que elas estão extremamente em extinção.

Pensei em escrever sobre Deus... mas soaria como se tivesse propriedade para isto. Não tenho. Cada qual com o seu Deus e sua interpretação de seu amor.

Pensei em escrever sobre as mudanças climáticas... mas ainda assim com todas as evidências científicas não poderia afirmar toda a culpa do aquecimento global no sistema de produção e urbanização atual, afinal não estarei viva daqui milhões de anos para ver se é um ciclo natural das dinâmicas terrestres, e se faria sentido de qualquer forma de evolução urbana este superaquecimento.

Pensei em escrever sobre filhos únicos e alguns possíveis bloqueios... nunca tive irmãos, como poderia prever?

Pensei em escrever sobre o poder feminino de decisão, e sobre a minha decisão em me cuidar mais ... estou rouca e cheia de pontas duplas. Mas com um salto novo e uma hidratação caseira de cabelo para amanhã.

Pensei em escrever sobre decisões... acho que nunca tive alguma extremamente argumentada. Acho.

Pensei em escrever ao invés de chorar... chorei. Continuei pensando.

Pensei em escrever sobre a necessidade dos seres humanos em abrir os olhos para o que há de belo... me peguei procurando uma oportunidade de fazer isso sem sucesso. De novo.

Pensei em escrever sobre cães...mas eles não precisam de palavras. Essa é uma pira que os fazem tão sinceros e honestos.

Pensei em escrever sobre dinheiro. Ai não, esse assunto estrangulador outra vez?

Pensei em escrever sobre o que tiver de acontecer vai acontecer...me peguei duvidando no que recomendo aos meus. Mas continuo o fazendo.

Pensei em escrever... Fui dormir. Ou tentar.  Hoje me parece o dia da caça e ele não é ruim... muito pelo contrário! Só não é dia de escrever, nem noite de palavras. Enquanto o caçador desbrava por aí os seus registros e troféus merecidos, eu fujo dos meus pensamentos como presa encurralada. Saber sair de cena é tão importante quanto entrar!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Soa Energia, Reverbera a Melhor Frequência

  Entre as vertentes da liberdade, te encontro na maioria delas, sem procurar.
  No passar das horas e na busca constante pelos mistérios, o labirinto dos acasos acaba por promover os choques das mentes.
  A essência dos aromas vai sendo tecida de pura arte, com uma criatividade que brota do lodo e da anoxia.
  Um acalanto que as palavras produzem, sem nenhuma pretensão... foi-se o tempo em que se esperou.  Hoje, estar presente é o diamante, por pouco faz muito e só.
  Como uma boa música que cria movimento, faz tempestade e depois, devolve a calmaria da fé no Universo, pé na tábua e do próximo nascer do Sol.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre estar até o talo de pessoas mal informadas, e minha visão sobre as entrevistas do coxinha do William Bonner

A postura do Bonner deveria ressaltar o suposto profissionalismo de um repórter 'consagrado' de uma grande emissora nacional, emissora essa que sempre influenciou a opinião da massa com maestria, exercendo sim um papel questionador, porém não faltando com a ética e o respeito com esse ou aquele candidato, omitindo escândalos de um, ressaltando outros, interrompendo de forma impositiva e vestindo uma máscara ridícula de defensor dos interesses populares. Destacar a corrupção e estudar suas origens e consequências é dever de todo cidadão (no qual o repórter se enquadra), mas principalmente investigar a real procedência dos escândalos das antigas direita e esquerda é responsabilidade unânime de uma pessoa pública e neutra e dos seus compromissos éticos ao mediar entrevistas de grande importância, para que sejam minimizados os efeitos comerciais e multiplicadores das impressões para/com a população através da Rede Globo, da Revista Veja, de outros veículos de maracutaias elitistas, sim!
É o que eu venho percebendo: Muita reclamação, bafafá e alarme de gente pouco informada; Vivemos rodeados de papagaios propagadores de idéias sem fundamento, inaplicáveis, que disparam incessantemente chavões repetitivos aprendidos na mídia e se acham preparados para compreender o funcionamento do sistema político e agregar à ele. Meu respeito a todo cidadão consciente e discreto, de escolhas políticas arbitrárias e bem fundamentadas, sejam elas quais forem mas que sejam baseadas em bons argumentos, porque de 'nhenhenhe' de gente que não lê e nem nunca leu, eu já ando até o talo!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Há quem chame de amor...

   Às vezes me pego pensando na real importância da intuição. Sim, porque deve haver em algum lugar, em alguma galáxia ou buraco negro, uma fonte de energia que faz bater o coração das pessoas mais forte. Há quem chame de amor.
   Essa energia toma conta de diversas cabeças, na fração de segundo de um mínimo descuido, e mergulha sobre os corpos e as almas. Há quem chame de amor.
   Isto aí atrapalha a concentração, mas também ajuda a concentrar! Dá forças e motiva a ação benéfica. Solta sorrisos fáceis e previne rugas! Há quem chame de amor.
   Há boatos, inclusive, de uma alegria imensa em estar junto da bagunça dentro de uma casa antiga, com diversos reparos a serem feitos e com intrigas familiares... tudo isso motivado por essa coisa, que uns e outros insistem em chamar de amor.
   Essa intuição leva uma inspiração e criatividade incríveis para/com o mundo, mas também não é perfeita: traz com ela uma ansiedade de vida que consome, noites e dias, as cabeças envolvidas. Há quem chame de amor.
   Os que a absorvem, apresentam tendências coloridas de pensar e leves de agir, seja no meio urbano ou no meio do mato. Esse bicho, quando pica, é insistente e não há vacina que o combata. Há quem chame de amor. 
   Sua distribuição é onipresente, até mesmo ao redor dos mais céticos. É transbordante entre amigos, incalculável entre pais e filhos, estonteante e intensa entre amantes, admirável entre voluntários e carentes, encantadora entre crianças e animais de estimação. Eu chamo de amor, há outros demais que chamam de amor... vai ver que é!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A vida já não é mais a mesma


A vida já não é mais a mesma.
Me peguei pensando nessa frase pulsante e insistente, enquanto abria uma bandejinha de maminha para retirar as gorduras dos filés, e deixá-los no tempero.
A vida já não é mais a mesma quando dentro da sua geladeira existem cores pintadas em frutas e em alimentos integrais; Quando seus esmaltes não duram quatro dias seguidos pela atividade cotidiana de cozinhar e sim, lavar louças.
A vida já não é mais a mesma quando te empurra para marcar reuniões com a secretaria de ensino municipal, da cidade que nem é a sua de nascença; Quando você deve assinar exatamente da mesma forma os 15 campos assinalados com um x, junto de uma rubrica.
A vida já não é mais a mesma pela felicidade de chegar quarta-feira e ser dia de feirinha no supermercado, onde os melhores produtos orgânicos chegam, caixas e mais caixas coloridas, seladas; Quando a carteira parece um buraco negro com uma escada, e cada degrau é um cartão em que você precisa dividir suas finanças.
A vida já não é mais a mesma quando os livros que te faz brilhar os olhos não são mais aqueles de auto-ajuda, mas sim de histórias marcantes, bem como o seu entusiasmo em querer que o mundo também tenha o prazer de vivenciá-las.
A vida já não é mais a mesma quando o tamanho da sua mala vai diminuindo, e as viagens aumentando; Não é mais a mesma quando aquele grande esforço em equilibrar todo mundo contente em uma bandeja já não é mais prioridade, e sim os seus sentimentos e os valores dele, acompanhados de quem realmente faz questão de estar presente na sua caminhada.
A vida já não é a mesma quando os seus planos parecem te assustar, mas que te fazem vivo e repleto de energia para batalhar na realização deles.
A vida já não é a mesma quando se deve abrir horários na rotina para eventuais consultas médicas, exames e convênios; Já não é a mesma quando entrar numa academia passa a ser motivo de prazer, uma fuga à saúde em meio às tarefas exaustivas.
É, a vida já não é a mesma quando o seu coração palpita, e até explana palestras pessoais internas sobre relacionamentos e suas experiências; Quando você sente saudade do que viveu, quando corre de medo do que viveu, quando sonha com o que está por vir e quando procura se reenergizar dia após dia para ser merecedor do que o futuro reserva.
A vida já não é mais a mesma quando o passeio ideal é o de gastar dinheiro com presentes para seus pais, ainda que a procura seja em shoppings lotados de pessoas e luzes estonteantes; Quando você observa que seus pais já não têm mais 30 anos de idade.
A vida já não é mais a mesma quando se deve tirar um passaporte, carteira de trabalho, tirar o copo molhado para não manchar o móvel de madeira, tirar o cinzeiro e escondê-lo, tirar a etiqueta da roupa que pinica, tirar o lixo da cozinha e do banheiro, tirar o xixi do cachorro, o recibo de pagamento, segunda via de cartão de identificação da faculdade, cutícula, e se sobrar tempo um sarro do seu cabelo bagunçado.
A vida já não é mais a mesma quando você arranca seu cabelo bagunçado de tantas dúvidas e preocupações; Quando o e-mail do seu chefe não está nem aí para seus cabelos e continua piscando na sua caixa de entrada.
A vida já não é a mesma quando se troca uma balada por meias felpudas; Quando meditar é muito mais importante do que gastar minutos a fio no telefone.
A vida já não é mais a mesma quando você vê uma beleza rara na letra de uma música que fala de amor ou nos rabiscos de uma criança, quando ouve um senhor de idade numa clínica geriátrica, quando vê um girassol e compra pra enfeitar qualquer lugar.
A vida já não é a mesma, mas é a melhor que eu poderia querer...com o peito aberto, proteção de luz, e muita felicidade.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Desabafo após um banho de cachoeira

A curiosidade brota nas horas mais (im)próprias. Sede de tudo mesmo consciente do vazio que lá existe, o que prefere ser maquiado na mais explícita falta de conhecimento que se poderia imaginar, num constante convencimento sobre o que não se sabe, e mal se quer saber.
Observo, sinto e aprendo com a energia aflita que brota.
A imparcialidade e a falta de intensidade sobre o curioso... ah essas não me entram na cabeça; Talvez porque a certeza é pouca, mas a vontade de alcançar as possibilidades é gigantesca.
O que seria eu, sem essas incertezas?  A resiliência me permite sonhar sempre, e é isso que alimenta o meu viver, o que me desgasta e o que me alavanca.
A pontada no coração, a boca do estômago fervilhando, a brusca necessidade de algo que supra esse processo me indicam que essa intensidade e essas dúvidas sobre as definições me fazem vibrar por inteira, em ambas as esferas: física e espiritual.
A soltura de ser fiel aos impulsos que me constituem, de sorrir de forma solta, sentir pulsar o mundo inteiro, chorar para inundar os poros e sentir prazer estonteante poupam a hipocrisia de sobreviver e assistir aos fatos como espectadores medíocres.
O equilíbrio sobre a positividade proveniente da nossa proteção, e a negatividade da ala dos sugadores é o dever mais implícito, o foco de toda a vigia que possa existir.
Aos que definem, sugam e desejam furtos energéticos, esses não fazem parte da minha levada. Eles acham que fazem...mas a essência já teve seu trabalho em afastar essas concentrações de atraso de vida, de retidão e de covardia.
Saber entrar e sair de cena tem sido a arte da minha vida, na caminhada árdua da rotina e nas minhas viagens.
A janela do mundo é instigante, demanda atenção na abertura dos olhos para o que se conquista, para o tipo de arte que se constrói com cada existência. Sigo aprendendo a tênue relação em desejar e oferecer, na sublime sinceridade de exercer sem maiores programações...

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Direto e Reto

    É chegado o momento em que a tolerância combate a ausência de vida.
Sem meios termos, sem muros para se escorar; o tempo não pede passagem nem muito menos ensina ninguém a se portar.
    É chegado e já tardio o impulso corporal insuportável, sedento por vida, por índole, por resposta física e mental frente a tudo. A inércia agora definitivamente já não cabe mais, se é que um dia coube em algum lugar.  
   Logo eu, tão adepta da instabilidade e da defesa da constante mutação de qualquer contexto, tomo partido. O único irreversível, constante e infinito, externado na camisa de quem a veste, com muita coragem, engolindo todas as possibilidades.
   Ninguém nunca saberá nenhuma resposta, mas aos que abrem a cara e o coração pela dúvida...esses sim têm a minha admiração; porquê conquistam o mundo e sua satisfação com os próprios olhos, com os próprios corpos físico e mental.
   Tantos tutoriais, virtuais, didáticos e sentimentais, falsários resultantes dessa fraca idéia vendida de amor.  Passam-se os anos e as oportunidades, e tudo fixado no mais cômodo e fraco pseudo-amor, uma somatória de fraquezas, por décadas a fio.
    Que bela e prática a covardia! Celebremos! Comemoremos essa bi-fase, essa água e óleo que não se esconde!
   Já é tempo de travessia sem volta, um salto pela salvação da opinião e da conduta; salto esse pela graça do amor que anda escondida em algum banco de cimento discreto por aí. Ah, a graça do amor... são poucos os que puderam conhecê-la, e que estão abertos e receptivos à ela em estado de graça a vida inteira.
   Aos crédulos a minha eterna admiração: pelo amor, pela coragem, pela atitude. 
   Aos outros, caretas de caráter, o silêncio. Silêncio esse que coloca cada um em seu lugar, que permite às carapuças que vaguem pelos corredores a fio atrás de quem às pertence; silêncio que julga sem palavras, que grita sem ruídos, que machuca sem toque.