Pensei em escrever sobre as injustiças sociais... mas soaria um protesto coxinha de quem já jantou um prato sem carboidratos e está na frente de um computador considerado lazer da cidade grande, vestindo meias felpudas.
Pensei em escrever sobre os caminhos profissionais a seguir... caí ainda mais fundo no buraco negro das possibilidades e ausência delas.
Pensei em escrever sobre saúde... lembrei que perdi um convênio médico.
Pensei em escrever sobre potencialidades... me vi no mesmo impasse de sistema de produção e frieza
humana, além de continuar achando que elas estão extremamente em extinção.
Pensei em escrever sobre Deus... mas soaria como se tivesse propriedade para isto. Não tenho. Cada qual com o seu Deus e sua interpretação de seu amor.
Pensei em escrever sobre as mudanças climáticas... mas ainda assim com todas as evidências científicas não poderia afirmar toda a culpa do aquecimento global no sistema de produção e urbanização atual, afinal não estarei viva daqui milhões de anos para ver se é um ciclo natural das dinâmicas terrestres, e se faria sentido de qualquer forma de evolução urbana este superaquecimento.
Pensei em escrever sobre filhos únicos e alguns possíveis bloqueios... nunca tive irmãos, como poderia prever?
Pensei em escrever sobre o poder feminino de decisão, e sobre a minha decisão em me cuidar mais ... estou rouca e cheia de pontas duplas. Mas com um salto novo e uma hidratação caseira de cabelo para amanhã.
Pensei em escrever sobre decisões... acho que nunca tive alguma extremamente argumentada. Acho.
Pensei em escrever ao invés de chorar... chorei. Continuei pensando.
Pensei em escrever sobre a necessidade dos seres humanos em abrir os olhos para o que há de belo... me peguei procurando uma oportunidade de fazer isso sem sucesso. De novo.
Pensei em escrever sobre cães...mas eles não precisam de palavras. Essa é uma pira que os fazem tão sinceros e honestos.
Pensei em escrever sobre dinheiro. Ai não, esse assunto estrangulador outra vez?
Pensei em escrever sobre o que tiver de acontecer vai acontecer...me peguei duvidando no que recomendo aos meus. Mas continuo o fazendo.
Pensei em escrever... Fui dormir. Ou tentar. Hoje me parece o dia da caça e ele não é ruim... muito pelo contrário! Só não é dia de escrever, nem noite de palavras. Enquanto o caçador desbrava por aí os seus registros e troféus merecidos, eu fujo dos meus pensamentos como presa encurralada. Saber sair de cena é tão importante quanto entrar!